A falta de representatividade da mulher negra no jornalismo

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O papel das mulheres negras brasileiras no setor jornalístico, observando a trajetória e dificuldade na luta por seus direitos na sociedade ultrapassando a desigualdade racial.

Foto: Arte de Lari Arantes

A desigualdade racial abrange fenômenos sociais de diferentes formas, se tornando um imenso problema no Brasil, diante disso nota-se a falta de representatividade de mulheres negras no meio jornalístico, tais como bancadas de jornais, imprensa, redação e dentre outras atividades exercida no ramo. Embora a população feminina seja maior no Brasil (51,7%), dados indicam que as mulheres negras estão em desvantagem em relação a outros grupos e principalmente às mulheres brancas. Uma pesquisa realizada pelo site GEMAA mostra que a Folha de São Paulo não possui nenhuma colunista negra, o jornal O Globo apresentou 4% de mulheres negras nessa função, já o Estadão apenas 1%, assim representando a ausência das mulheres negras no setor. O gênero masculino é predominante nos três jornais.

Apresentando esta dissemelhança, observa-se que, o número de mulheres negras acaba sendo inferior ao número de mulheres brancas no setor jornalístico brasileiro. Apenas 23% dos jornalistas são negros e negras, ainda que não haja um número exato de quantas negras atuam nessa profissão, certamente são pouquíssimas. 

Embora seja escasso, quando há espaço para mulheres negras, o modo em que a mídia brasileira as representa ainda é extremamente racista, desvalorizando a imagem da mulher negra, assim não conquistando o seu devido valor e reconhecimento, e de maneira equivocada vende a falsa ideia de que o Brasil vive uma democracia racial. Vale ressaltar que praticamente existe uma barreira reprimindo a entrada dessa população negra nas universidades brasileiras, sendo que segundo dados do IBGE, apenas 10% das mulheres negras completam o ensino superior.

 

National Association of Black Journalists / Via nabjglobal.com

Ethel Payne, uma mulher batalhadora, ficou conhecida como “A primeira-dama do jornalismo negro” norte americano, ela foi uma ativista que lutava pelos direitos civis da população negra. Deu início a sua trajetória no jornalismo em 1951, assim unindo o ativismo político com jornalismo. Ethel tornou-se a primeira mulher negra a ser contratada por uma rede nacional, além de sua comunicação com a política interna americana, ela trabalhou como colunista e cobriu histórias internacionais. Foi honrada com um selo postal em um conjunto de “mulheres em jornalismo” em 2002. Exerceu sua profissão até o ano de sua morte.

Além da falta de representatividade nos telejornais, é notável que a maioria de apresentadoras negras estão apenas em programas de menos destaque. Na programação política, jornalística ou educativa, predomina pessoas brancas. Com essa informação, podemos ver que pessoas negras na maioria das vezes protagonizam apenas entretenimento, sendo descredibilizadas de suas capacidades intelectuais. 

Glória Maria – Reprodução de internet

Bem como Ethel Payne, a Glória Maria foi a primeira repórter negra do Brasil. Conquistou seu espaço na bancada do jornal das 7 horas, sendo destaque no programa Fantástico da Rede Globo. Anteriormente, lutou muito para chegar onde está, ultrapassando o preconceito racial e o machismo. Considerando sua longa trajetória e diversas conquistas, Glória Maria se tornou a única negra a chegar ao topo do jornalismo brasileiro.

Nessa entrevista retirada do Youtube, da jornalista Ivonete Lopes para a TV Brasil, ela expõe sua convicção sobre a representação dos negros na tv brasileira:

Percebe-se que não é fácil a trajetória de uma mulher no jornalismo e principalmente sendo negra, tendo que batalhar o dobro para conquistar seu espaço e servir de referência para outras mulheres. A mulher tem um grande valor e relevância dentro do que se propõe a realizar, com capacidade de desenvolver as mesmas atividades que um homem ou mulher branca desenvolvem.

Agência das 7 Mulheres
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