Mulher também tem que sentir prazer

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Mesmo com os paradigmas e tabus é necessário afirmar que mulheres merecem sentir prazer na vida sexual e que isso não é exclusivo do sexo masculino. 

Imagem grátis – Pixabay

Por muitos anos e até mesmo em algumas culturas a mulher é vista como um corpo para reproduzir, ou até mesmo um objeto de prazer para homens, e há casos de mulheres que nunca sentiram orgasmos. Houve muitos avanços e hoje da pra falar melhor sobre isso, diferente de antes, há mais informações e as mulheres também passaram a ser ouvidas, a ter mais cuidado sobre seu corpo e se conhecendo, passou a entender que ela também merece sentir prazer na hora da relação sexual.

Vamos começar por entender que a sexualidade nada mais é que fonte de prazer absoluto, formas de sentir e se expressar, e está muito ligada ao nosso íntimo, capaz de modificar muito de nossos sentimentos, apesar de ainda ser um tabu, há sim muitos avanços, mais ainda há um peso quando se trata da mulher querer buscar esse prazer. Em muitos casos devido a cultura do machismo mulheres que muitas vezes buscam seu próprio prazer ou até mesmo exige isso de um homem pode ser vista de uma forma pejorativa.

Diversas queixas se enquadram no dia a dia das mulheres, a qual seus parceiros conjugais não a correspondem da maneira que deveriam, segundo a sexóloga  Eliany Mariussi terapeuta sexual,” não tem como definir um número exato referente as mulheres que chegam até seu consultório”, mas ela  percebe que mais da metade das pacientes tem consciência do fato de terem se afastado de seu parceiro sexualmente falando, pelo fato desse desejo ter diminuído. Como a educação sexual é pouco abordada na sociedade, todos sofrem, um exemplo verídico que ela deu é que ”um homem que apresenta uma ejaculação rápida, que é uma disfunção sexual, não procura ajuda, com o tempo sua parceira se sente frustrada e perde o desejo, pois a relação sexual é muito rápida e não consegue curtir o suficiente”, deixando assim essa parte de lado em sua vida, fazendo com que o relacionamento se esfrie, coisa que poderia ter sido evitado desde do começo, com diálogo e ajuda de um profissional. A conversa sobre a vida sexual é importante para todos, afinal a ela é abrangente e faz com que mudemos a percepção sobre o nosso próprio corpo, entender os relacionamentos, e sobre frustrações que surgem através de experiências ruins. Relacionamento é troca, logo o desequilíbrio nesse aspecto, tem grandes chances de afetar o individuo como todo. Apesar do sexo ser extremamente essencial na vida a dois, é impossível manter a harmonia apenas através do sexo,” imaginemos que o sexo é um quebra cabeça, em cada aspecto da vida representa uma peça. O quebra cabeça não estará completo se faltar algumas das peças e pode ser qualquer uma”, diz Eliany por isso os dois indivíduos precisam trabalhar em conjunto, com o diálogo como base desse pilar para sua sustentação.

Mas  porque é tão importante ter uma vida sexual saudável, segundo a terapeuta Eliany não há duvidas que ”os impactos vão além da vida a dois, os efeitos positivos abrangem diversas áreas como, saúde, auto estima confiança, relações interpessoais”, e o resgate das áreas que o individuo perdeu ao longo da vida em decorrência a problemas externos, por isso ”não podemos nem devemos negligenciar essa parte tão importante de nossa vida”.

Sem dúvida o autoconhecimento a quebra de tabus e paradigmas alavancam na questão da ajuda no relacionamento, conhecer nossos próprios valores, medos, coisas que nos fazem bem e mal, entender decisões tomadas, somente o autoconhecimento verdadeiro trará essa sensação, segundo Sócrates “o verdadeiro conhecimento vem de dentro”, isso nos traz muitas formas de interpretação porém apenas uma conclusão, somos unicamente responsáveis por quem somos, não podemos buscar relacionar-se como refugio de problemas mal resolvidos, ”tem que haver uma compreensão nos indivíduos não uma dependência”, diz a terapeuta.

Na vida, nem sempre teremos a opção de escolher o que queremos fazer, muitas vezes nos são colocadas tarefas chatas”, e coisas gerais que fazem parte do nosso dia a dia, mas quando depararmos com opção de escolha, é importante que a mesma ”esteja alinhada com o nosso bem estar e vontade”, “conhece-te a ti mesmo”  segundo Apollo , na filosofia para o auto conhecimento , é necessário o desenvolvimento da auto imagem , o uso da auto consciência, nada mais é que um projeto ético, para o sujeito se tornar mestre de si, e assim conseqüentemente um sujeito melhor.

Sendo assim como vimos a sexualidade é um conjunto, e vai muito além do sexo, não existe um culpado absoluto, ou uma vítima plena, a educação é a chave de tudo, trabalhar as questões do indivíduo em si principalmente e sempre expor o que pensa, o diálogo e auto conhecimento sempre será o protagonista, que trará felicidade na vida a dois.

Uma pesquisa inédita feita com 1370 mulheres de todo o Brasil com predominância no Sul e Sudeste para Marie Claire diz que apenas 36% das mulheres tem orgasmos durante o sexo, foram respondidas 29 perguntas e conclui-se que 60% diz que o orgasmo vai além da penetração vaginal e 74% diz que a masturbação é o melhor caminho. ”Foi possível constatar que, para elas, falar de sexo é também falar de saúde, auto-estima, segurança e educação, além de uma busca legítima por mais prazer feminino”, comenta a psicanalista Mariana Stock, e nessa pesquisa diz que só 16% das mulheres dizem ter prazer na penetração.

Em relação às principais dificuldades na intimidade sexual, a pesquisa apontou que as mulheres ainda se sentem pressionadas a chegar ao orgasmo durante a penetração mesmo que a maneira não seja a que mais as levam a ele. “Essa informação só reforça a nossa cultura falocêntrica, que insiste em dizer que a penetração é sempre a primeira resposta para um sexo satisfatório. A verdade é que pressionar mulheres a buscar prazer somente por meio da penetração vaginal é algo que vai contra a anatomia feminina: o orgasmo assim é raro pois se trata de uma região pouco inervada“, explica Mariana, que ainda conta que a grande parte das mulheres que entram em contato com o seu projeto chegam com a sensação de terem algum problema sexual. Existem muitas profissionais que buscam mostrar para s mulheres o quanto seu prazer é importante a Psicologa e sexóloga Simone Melo recebe muitas mulheres que após terem feitos exames com um ginecologista e foi visto que a parte hormonal e orgânica está tudo bem querem entender mais junto a uma sexóloga e ressalta ”algumas mulheres não têm essa percepção que a dificuldade pode estar no parceiro(a), porque a cobrança, humilhação e a culpa é muito grande em cima delas”.

E há uma questão que torna esse assunto um tabu em determinados lugares ou famílias ‘‘Infelizmente em alguns lares não tem o diálogo sobre orientação sexual com os filhos, a educação reprimida e as crenças sociais acabam prejudicando e influenciando na fase adulta.

As mulheres têm dificuldade de entrar em contato com seu corpo, não tendo facilidade e/ou curiosidade em conhecer as zonas de prazer ou seja, saber o que lhe dá prazer. Muitas esperam iniciar a vida sexual para serem tocadas por outras pessoas antes de saberem se tocar. Deixando essa responsabilidade na mão do parceiro(a) e ficando frustrada e refém” diz Simone

E o fato de não ser falado sobre isso de forma clara pode realmente prejudicar a vida de muitas mulheres ”falar sobre educação sexual ainda é tabu, tendo em vista a forma como nossa sociedade ainda é machista e patriarcal. Muito se deve também as religiões, principalmente por causa do Cristianismo. É cultural, mas é preciso, urgentemente, falarmos sobre educação sexual nos lares e nas escola, tendo em vista o aumento de casos de abuso sexual infantil e de adolescentes, sem contar que somos o quinto país em feminicídio no mundo, justamente por não exercitarmos a educação sexual nos lares e nas escolas. Falar sobre relação sexual de forma adequada é um dos pilares para que jovens tenha autoestima e menos vulnerabilidade para a vida. Sexualidade segundo a OMS, “é toda a força que nos impulsiona à vida, ou seja, são nossos sentimentos, desejos e atitudes para viver uma vida bem.’ diz Cris Arcuri sexóloga e palestrante motivacional . É realmente muito importante falar sobre isso. ”Para um relacionamento ser equilibrado e com desejo de ambos, é preciso ter diálogo, companheirismo e sexo. Mais qualidade do que quantidade, diz Cris e a Simone ressalta ”saber o que lhe dá prazer, permitir a sentir esse prazer e lhe dá prazer, ela pode fazer sozinha também.  Não ficar na obrigação que precisa satisfazer o parceiro(a), por medo dele(a) buscar outras mulheres e/ou término do relacionamento”.  

Pelo menos uma mulher do nosso ciclo já disse alguma vez que esteve com alguém que só pensa em si e A Cris comentou sobre isso ”homens foram educados com base em filme pornô e revista erótica, o que tipifica a mulher em ambos os veículos de comunicação como objetos de desejo, rotuladas em estereótipos que a mídia sempre produziu para ser vendável e submissa, bem diferente do que significa uma relação sexual, onde os envolvidos ambos através de carícias e carinho, tem prazer”.

É importante a mulher sabe sobre o autoconhecimento e em muitos casos tirar da cabeça que é algo errado, ”é fundamental a mulher buscar seu autoconhecimento primeiro para ela, reconhecer suas qualidades e se valorizar. O autoconhecimento também está relacionado se permitir a se tocar, a mulher que masturba tem menos problemas sexuais, preserva a saúde dos órgãos genitais e pode retardar a perda da turgidez (dilatação) da mucosa vaginal que acontece após a menopausa. Com isso, o relacionamento terá um grande benefício para ambos(as), diz Simone

Há alguma queixas que as mulheres que buscam o atendimento tem: e a Simone falou um pouco sobre elas:

Anorgasmia: A mulher não consegue chegar ao orgasmo nem com o parceiro nem se masturbando. As causas podem ser orgânicas e psicológicas, como traumas de infância, violência sexual, falta de envolvimento do casal;

Dispareunia: Dor durante a relação sexual. Pode ser orgânica (inflamações vaginais não tratadas) e/ou problemas de natureza psicológica (falta de interesse pelo sexo, ausência de envolvimento com o parceiro e medo quanto ao desempenho sexual) também pode levar ao problema;

Vaginismo: é a dor na hora da penetração, provocada por uma contratura muscular que impede ou dificulta a entrada do pênis. Geralmente a causa por Distúrbio Emocional (a falta de informação sobre os Órgãos Genitais, da educação rígida e tentativa de estupro);

Desejo Sexual Hipoativo: caracteriza-se por uma diminuição ou ausência completa de fantasias eróticas e do desejo de ter atividade sexual

Por isso é tão importante a busca por um profissional. “Reveja seus conceitos, todas as disfunções sexuais têm solução se forem tratadas com especialista adequado. Manter o problema é sofrer sem necessidade!” ressalta Simone que também da uma orientação

”Para a mulher fazer uma reflexão:  O que eu quero para mim? Por que me permito ficar acuada numa relação? Porque tenho dificuldade em dialogar e falar “Não” quando não sinto vontade de ter a relação sexual. Buscar um espaço só dela para ser escutada e acolhida. Esse é o trabalho de uma Sexóloga é ajudar a orientar nas disfunções sexuais femininas e masculinas. 

Portanto é necessário saber que muitas coisas podem ser resolvidas, há informações disponíveis para boa parte da população, em casos mais graves é bom saber que existe especialistas capacitados a ajudar e que muitas coisas está no inconsciente e que sofrer por determinadas situação pode ser uma escolha. ”Até mesmo para que não aceitem passar por situações onde seu prazer não é respeitado, o amor próprio é uma construção diária. Algumas mulheres aprendem desde criança, mas a maioria, por conta da mídia exaustiva em padrões de beleza rotulados, acabam sofrendo com sua autoestima. Amor próprio e autoestima andam lado a lado e são um dos pilares de uma sexualidade descomplicada. Entender que o seu corpo é uma ferramenta para se viver bem, e que precisa de alimentação saudável, ingestão de muita água, atividade física, já é um grande passo para entender na prática o verdade significado de amor próprio. Conhece o ditado: mente sã, corpo são! É exatamente isso. E se você tiver uma vida saudável, isso será muito importante para tudo, inclusive para uma a vida sexual saudável também, diz Cris.

Então podemos dizer que nem tudo está perdido, quando se há amor entre duas pessoas e as questões sexuais não estão caminhando de encontro há uma forma de melhorar, e isso serve para ambos. Há também a necessidade de diálogo no relacionamento, é primordial ambos saberem de que forma agradar seu parceiro. E outra coisa muito importante na relação a dois é viver realmente isso entre os dois, sem comparar seus relacionamentos com o dos outros, muitas vezes com o pensamentos de que se outros conseguem e vocês não é que há problemas só com vocês, isso não é real, cada relação, cada casal tem suas particularidades e isso tem que ser levado em questão. E quando se trata do bem estar da mulher, é necessário o autocuidado e a coragem de assumir quando algo não está bom, e ter humildade pra procurar ajuda, de um profissional, a vergonha não pode ser maior do que o querer se sentir bem, e graças a tecnologia e a luta feminista também, as mulheres tem mais liberdade pra buscar seu próprio prazer, haverá julgamentos de outras pessoas, mais eles não podem ser maiores do que o seu próprio. Mulheres, tenham em mente que seu bem estar depende muito mais de ti, então não o deixe nas mãos dos outros.

Referência: https://revistamarieclaire.globo.com/Amor-e-Sexo/noticia/2018/09/apenas-36-das-mulheres-tem-orgasmo-durante-o-sexo-mostra-pesquisa-inedita.html

Colaboração: Priscila Silva

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