Quebrando o tabu do coletor menstrual

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O coletor menstrual, para muitos que não sabem da sua existência, é um copinho de silicone medicinal que tem feito a diferença na vida de muitas mulheres. De maneira muito simples, ele coleta o sangue da menstruação, quando encaixado corretamente no canal vaginal, e pode ser trocado em até 12 horas, dependendo do fluxo menstrual. Muitas mulheres veem o coletor como sendo uma revolução para o período menstrual, não tem vazamentos, nem maus cheiros, é material de alta qualidade, reciclável e com duração de muitos anos. Apesar de não ser muito conhecido ele está no mercado há muitos anos.
No ano de 1937, uma estadunidense chamada Leona Chalmers inventou o que ficou conhecido como o primeiro coletor menstrual. Ele era feito de borracha, sendo pesado e de maior dificuldade para introduzir, por isso as mulheres da época não o consideravam uma boa opção, além de que o tabu era muito maior que é hoje. Da década de 1950 até 1970, Leona tentou de tudo para inserir o coletor na vida das mulheres, querendo combater a produção de absorventes descartáveis. Fechou parceria com uma empresa e chegou a lançar no mercado uma marca de coletores chamada Tassette, contudo a maioria ainda não se sentia confortável com a ideia. A empresa então foi fechada no ano de 1973 e os copinhos pararam de circular.

Imagem: Violeta Cup

Depois de ter sido recomendado por médicos e ginecologistas, nos anos 2000 o assunto voltou a surgir, tendo o silicone bem mais flexível como material, seguro e hipoalergênico. Assim foi inserido no mercado e muitas mulheres acharam apropriada a ideia de usá-lo.

Foto autoral – Lais Alves

Segundo o site Bem Estar da Globo, um dos benefícios do produto se refere ao impacto ambiental, uma vez que ele pode ser reutilizado quantas vezes for preciso em um período de 10 anos. Apesar de custar em torno de oitenta reais, o investimento no coletor compensa muito mais do que os absorventes descartáveis. Você já parou para pensar em quanto gastou com absorventes desde a primeira vez que menstruou, até hoje.  Ao longo da vida, uma mulher pode usar cerca de 10 mil absorventes. Uma pesquisa feita pelo site Pantys, mostra que uma mulher de 20 anos, que menstruou a primeira vez com 14, utilizou em média 704 absorventes, que equivalem a 25kg de lixo (ou 352 reais). Já o copinho, é muito impactante o tempo que faz bem ao meio ambiente, é uma ótima opção para as mulheres que tiverem interesse em ajudar nosso planeta e a si mesma. Porém devemos tomar os devidos cuidados com a higienização: lavando-o com água e sabão neutro, e fervendo o coletor no início e final de cada ciclo, pois assim evita muitas doenças e infecções.  

Mesmo não havendo contraindicações, o coletor menstrual ainda é um tabu. O contato com o sangue e com a própria vulva é um dos motivos que impedem a compra do copinho para muitas. Nós mulheres não somos estimuladas a tocar nem conhecer nosso corpo, mas devemos estar abertas para conhecer e aprender coisas que poderão ser libertadoras! A adaptação pode ser difícil para algumas, apenas 4% não conseguem se adaptar, mas com a força de vontade e escolhendo o tamanho certo para o seu corpo, tudo ocorrerá bem. Em geral, as marcas de coletores oferecem dois tipos de tamanho, que vão de acordo com a idade, o tamanho do colo do útero e se a mulher já teve filhos ou não.

O coletor também é mais seguro do que o absorvente interno, que absorve além do sangue, a umidade natural da nossa vagina, causando ressecamento e podendo provocar uma irritação no canal vaginal. 

A ginecologista Maria Mariana Abreu relata que os prós do coletor menstrual são o conhecimento corporal, melhoria ao meio ambiente, mais barato a longo prazo e pode ser usado na relação sexual e os contras são falta de segurança nos primeiros usos, necessidade de higienização correta, necessidade de medição do canal vaginal para o uso do tamanho correto e armazenamento do coletor entre um ciclo e outro, o ideal é a mulher testar para verificar a adaptação com o coletor menstrual. 

Citou também, que as mulheres que praticam esportes podem usar o coletor, e ao ir à praia e piscina também podem usar, só não esquecer de trocar o coletor após o uso. E afirmou que o coletor menstrual ajuda no autoconhecimento da mulher “Conhecer seu corpo e sua anatomia através da palpação é libertador! Através da medicação do canal vaginal, saber onde fica o colo do útero e qual sua consistência. A anatomia feminina é muito estudada em livros, mas pouco tocada. Se você não conhece seu corpo, quem vai te apresentá-lo?” relata. 

Além disso, também entrevistamos a marca brasileira Violeta Cup, para esclarecer ainda mais sobre o uso do coletor menstrual. 

Entrevista com a marca de coletor menstrual Violeta Cup 

Jornalista: Em mulheres que nunca tiveram relação sexual existe o risco de rompimento do hímen?

Marca: Recomendamos que converse antes com uma ginecologista já que o hímen é uma membrana que pode ser rompida facilmente.

Jornalista: Interfere na lubrificação vaginal ou altera o PH da vagina?

Marca: Não interfere.

Jornalista: O coletor ajuda na preservação do meio ambiente?

Marca: Questão ecológica: O coletor menstrual Violeta cup pode durar até 3 anos, e dispensa o uso de absorventes descartáveis. Portanto, reduz a produção de lixo.

Jornalista: Qual o objetivo da marca?

Marca: A Violeta Cup veio questionar paradigmas da sociedade e ajudar a todas as mulheres a terem uma relação mais livre e consciente.

Jornalista: Em mulheres que usam o DIU, há algum risco em usar coletor menstrual? 

Marca: Sim. O coletor menstrual e o DIU ficam em diferentes partes do corpo, por isso tudo bem usar os dois ao mesmo tempo.

Jornalista: O silicone usado nos coletores é de confiança?

Marca: Sim. Testado e aprovado pela Anvisa.

Jornalista: Dentre os benefícios do coletor, na sua opinião, por qual motivo o coletor não toma os lugares na prateleira de super mercados assim como absorvente? Acredita que seja um tabu? 

Marca: Estamos nos maiores e-commerces do Brasil e em muitas farmácias e perfumarias, mas ainda tem muito tabu na sociedade brasileira da mulher se tocar e se autoconhecer, mas isso está mudando com a nova geração.

O objetivo desta reportagem é justamente quebrar esse tabu com o coletor menstrual, principalmente, para a mulher se autoconhecer por completo, inclusive seu corpo.

Colaboração/edição: Aline Rocha Lemos

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Um grupo de sete mulheres, que se uniram para defender os pensamentos e direitos das mulheres. Através de conhecimento e aprendizagem.

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